terça-feira, 25 de outubro de 2011

ÚLTIMO REI DE DONBASS


Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 20.10.2011
Serhyi Leshchenko

Um momento muito significativo na viragem da nau ukrainiana do curso de Bruxelas foi a entrevista de Yanukovych a Vitalyi Korotych, que aconteceu na noite de quarta-feira (19.10).





"Eu disse: se vocês ainda não estão prontos para assinar hoje - vamos esperar para amanhã, ou depois de amanhã. Vamos encher-nos de paciência. Se vocês não tem certeza quanto a Ukraina - vamos observar, como vão se realizar as reformas na Ukraina" - Atrás destas palavras esconde-se a rejeição da chance, que ocorreu no período histórico da atual liderança do Estado ukrainiano.

Mas, parece que Viktor Yanukovych entendeu - a integração européia vai destruí-lo como presidente. A eurointegração simplesmente impossibilitará sua permanência no cargo, porque destruírá todas as instituições, nas quais apoia-se seu governo. Eurointegração o obrigará despedir-se da censura, da perseguição política de oponentes e falsificação de eleições. Porque a privação desses hábitos é a natureza da eurointegração. No entanto, a renúncia a estes componentes da política de Yanukovych significa a destruição da própria essência do atual governo.

Portanto, Viktor Yanukovych fez a sua escolha. E nós acordamos em outro país. Ele realmente não é "primo pobre", para pagar um preço tão elevado pela eurointegração - ouvir os conselhos europeus em todas as ocasiões, começando desde a lei sobre as eleições e terminando com o estatuto dos juízes, para não mencionar suas importunas exigências para libertar Tymoshenko.

Yanukovych não construiu por dois anos sua Bastilha, não sofreu por cinco anos sua humilhação na oposição, não para isso ele negociava, à noite, em apartamentos secretos com Tymoshenko, e não para um final desses ele mendigava um cargo no governo Yushchenko, para agora entregar o poder e tomar a Europa como regra.

O argumento do Yanukovych é cínico. Ele tenta culpar Bruxelas pelo fracasso na integração européia. Porque, segundo ele, o Acordo sobre associação não contém uma perspectiva de adesão como membro. Mas ele também não continha essa cláusula, quando Yanukovych anunciou sua assinatura no Acordo desde o início até o final do ano passado, e depois - neste ano. O Acordo não continha esta perspectiva nem um único dia!

Assim como, não continha entre UE e Polônia nos anos 1990. O que, afinal, não impediu a entrada da Polônia.

Porque os europeus, ao contrário dos ukrainianos, costumam responder por suas palavras. Se eles escreverem que Ukraina tem perspectiva de aderir como membro, desde esse mesmo dia esta diretriz torna-se inalienável à política comum de 27 países.

Mas as autoridades de Bruxelas não receberam mandato dos governos da UE para garantir as perspectivas de adesão a membro para Ukraina. E 27 países da Europa não receberam permissão para isso de seus cidadãos. O círculo fechado, o qual romper não pode nem Barroso, nem Merkel, nem Komorowski, só pode desintegrar-se ao longo do tempo. E única maneira preparatória da Ukraina de adesão à UE é o Acordo de Associação.

De fato a exigência declarada por Yanukovych "perspectiva de adesão como membro" - é exigência de estender diante do namorado um tapete de rosas vermelhas e convidar uma orquestra em condições, quando os anfitriões guardam cada centavo e têm medo até de um gaguejo sobre acréscimo na família, porque a metade de nossos parentes é seriamente doente.

Na verdade, o Acordo de Associação independentemente da existência de uma perspectiva de adesãoo - é integração através de porta imperceptível, é integração "de fato", a qual não irrita, nem assusta os funcionários europeus, mas pela sua essência é uma etapa obrigatória para adquirir status de membro na UE.

- Mas "nós não somos parentes pobres", respondeu Yanukovych a Bruxelas. Esta frase dita na entrevista, demonstra toda dor da elite atual. Eles realmente não são parentes pobres, para postar-se de joelhos diante da Europa e implorar pela adesão.

Ou será possui Angela Merkel tal "Myzhyhirya" (aqueles palácios que Yanukovych está construindo próximo de Kyiv. Veja fotos em artigo anterior neste blog - O.K.) qual Yanukovych? Claro que não! E possui Nick Clegg propriedade igual a Andryi Kliuyev? Não possui, o que você pensa? Ou se comparar o séquito do primeiro-ministro da Ukraina e República Checa, é possível imaginar Azarov num Skoda? Realmente, não. Não somos nós os parentes pobres, são eles os miseráveis.

A negativa da Ukraina a uma união empurra-a para os braços de outra. Parece que Kyiv lançou uma campanha de informação em massa para preparar a opinião pública à integração com a União Aduaneira com Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão. Isto - não é apenas declarações de deputados ou palavras de Yanukovych que Ukraina precisa "apalpar" a União Aduaneira para fazer uma conclusão final.

Os jornnalistas da região de Volyn, que faz fronteira com UE, informam que, ao mesmo tempo em quatro jornais começaram sair os mesmos artigos com iguais ilustrações, fazendo propaganda em favor da União Eurasiana de Vladimir Putin. Estas páginas foram lançadas verticalmente da capital.

Yanukovitch e o cetro do poder

Em 2003, o estudioso britânico Timothy Garton Ash prognosticou que em 2021 Ukraina já estaria na UE. Em distante 2003, ele não poderia imaginar, que após 10 anos Ukraina seria gerida por um autocrata com hábitos de Lukashenko (Bielorrússia).

Então, o que perde um simples cidadão da Ukraina após a rejeição de Yanukovych em aproximar-se da UE?

Como mínimo, a esperança ilusória de que um dia poderá viajar à Europa sem vistos. Apesar de ainda não haver uma regulamentação direta, mas já agora é subentendido - nem os funcionários europeus em Bruxelas, nem os dirigentes de governos europeus em suas capitais concordarão com a supressão de vistos para o país onde oficialmente é reconhecido o fato da existência de presos políticos.

A visão de Yanukovych de relações da Ukraina e UE lembra a situação, em que cada vez encontra-se o trem Nº 29 Kyiv-Berlin.

Como na Ukraina e Europa a largura entre os trilhos é diversa, cada vez na fronteira, durante várias horas, mudam os pares de rodas. Preparam para que se ajustem às normas européias.

A declaração de Yanukovych é analógica a isso, se a partir de hoje a Estrada de Ferro Ukrainiana anunciasse a exigência: se Europa quer que o nosso trem"Kashtan" continue percorrer suas ferrovias, ela deve alterar a distância entre os trilhos à largura ukrainiana. E se a Europa não está pronta - podemos esperar. Pela ferrovia da reserva. Ou, enquanto isso iremos na rota Kyiv-Moscou.

Na verdade, esqueceram de perguntar se os passageiros desse trem consentem com essas mudanças - rota e desdobramentos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
 
Video e foto formatação: AOliynik

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