domingo, 28 de agosto de 2011

DO AUTORITARISMO À PERDA DA SOBERANIA

Do autoritarismo à perda da soberania
Tyzhden (Semana), 15.08.2011
Andrii Duda

O exemplo da Bielorrússia convence, que nenhuma concessão linguistica, ideológica e econômica pode ser capaz de satisfazer os apetites da Rússia do Kremlin.

Por um longo tempo Bielorrússia foi vitrine da política pró-russa no espaço pós-soviético. Uma equipe jovem e enérgica do escolhido em 1994 presidente Aleksandr Lukashenko em poucos meses liquidou todas as anteriores conquistas nacionais do Estado bielorrusso criados pelo governo Shushkevich. Em menos de cinco primeiros anos de seu governo o novo chefe de Estado conseguiu assinar vários acordos com a Rússia, devido aos quais no século XXI, esses países entraram na composição do único Estado sob a forma da União Monetária. Desnecessário falar que, em Bielorrússia nos últimos 17 anos, a nível oficial, ninguém distinguiu "antirrussos " eventos (no entendimento do Kremlin). Os manuais de história se enquadram completamente no conceito de história e filosofia leais à Rússia, a língua bielorrussa praticamente desapareceu do uso.

Rússia quer tudo

Acordos de integração, assinados durante os tempos de Boris Yeltsin, tiveram "nova interpretação" durante a presidência de Putin. Por exemplo, art. 13 do Tratado sobre a criação do Estado da União prevê a implantação de uma moeda única na Rússia e Bielorrússia. Em interpretação de Putin é uma simples entrada da Bielorrússia na zona do rublo russo com um único centro de emissão, em Moscou. Quando se trata de tempo, quando o país da União não passou a fase do mercado comum, quando o desenvolvimento da economia, o sistema tributário, enfim os preços internos e os salários na Rússia e Bielorrússia, para dizer o mínimo, são muito diferentes (por exemplo, em 2005 o salário médio era, respectivamente US$ 393 e US$ 261).

De acordo com os cálculos do Banco Central bielorrusso, realizados em 2003, os prejuízos diretos para o Estado como resultado da adesão à zona do rublo foi de, aproximadamente, US$ 1,9 bilhões ao ano. Também os analíticos bielorrussos prognosticaram o exército crescente de desempregados em 200 mil (para comparação: o número total da população em idade ativa no país para este período - próximo de 4,8 milhões de pessoas). Assim com a condição da adesão à zona do rublo Bielorrússia avançava, anualmente, no orçamento russo, no valor de US$ 1,9 bilhões e crédito técnico de US$ 200 milhões) calculados pelo Banco Central por analogias em processos semelhantes na UE). No entanto, o máximo que a Rússia concordou - compensação de IVA até US$ 140 milhões.

Lukashenko, por um bom tempo insistia na garantia em políticas públicas de emissão. Inicialmente, o lado da Bielorrússia exigia a criação de dois centros de emissão: em Minsk e Moscou. Mais tarde, sob pressão da Rússia concordaram em apenas um único em Moscou, mas sob a condição de que a formação do banco central deve ser a fórmula 50 - 50. No entanto, em outubro de 2010 Putin deu a resposta "ao desejo de Minsk": "não há dois centros de emissão, não há dois bancos centrais 50 -50, porque o volume da economia beilorrussa, em minha opinião é 3% da russa", disse desdenhosamente Putin.

Hoje os russos, na base da crise econômica russa atualizaram o tema da adesão do país à zona do rublo russo. Não é impossível, que brevemente ouvir-se-ão propostas mais concretas, das quais a um Minsk em crise será muito difícil de recusar.

Abraços do naftogás

Especialmente perceptíveis "amistosas" e "aliadas" são as relações dos países do ramo energético. A guerra do gás entre eles trava-se conforme cenário tradicional. Bielorrússia tem necessidade de importar mais de 20 bilhões de metros cúbicos de gás russo, mas a FR, de ano em ano dita-lhe um novo preço. Por sua vez, através do território bielorusso Rússia fornece gás natural à Lituânia, Alemanha e Polônia, representando 6,5% do seu consumo total na União Européia. Obviamente que para os países que pertencem à União-Estado a chantagem mútua sobre a questão do trânsito é um disparate. Mas trata-se da formação, onde um dos membros é Rússia...

Depois do fato de junho de 2002, quando Lukashenko rejeitou a oferta de Putin para o ingresso da Bielorrússia à FR, desde 2003 Kremlin através do subordinado Gazprom começou ativamente perseguir o tema da compra de seu sistema de transporte de gás que permanecia em operação do Beltransgas (companhia de gás bielorrussa), conseguindo inicialmente 50% das tubulações bielorrussas, mas agora está se aproximando de assumir sob controle total.

Hoje o acordo da Bielorrússia sobre o gás é muito curto, nada de contratos de longo prazo entre Gazprom e o lado bielorrusso para fornecimento do gás. No terceiro trimestre de 2011 o custo do gás russo para país "irmão" - próximo de US$ 260 o m³, no quarto trimestre já será US$ 300 - 305. O preço para 2012 ainda não está decidido, mas Rússia já anunciou que pretende aumentar, novamente o preço. Então, é possível que em breve o status quo seja perturbado. A nova guerra do gás pode terminar com a transferência do sistema do gás da Bielorrússia para o controle completo de Moscou.

Para a participação remanescente de 50% de ações da Beltransgas (os outros 50% já são da Rússia) Rússia declarou a sua disponibilidade de cobrir com US$ 2,5 bilhões, mas "sem condições complementares". Em outras palavras, nenhum bônus na forma de preços mais baixos do gás. Bielorrússia, atualmente, precisa desesperadamente de divisas para minimizar os efeitos da crise financeira.

Outro conflito permanente entre os países "aliados" - no ramo do petróleo. Os países fazem uma combinação quase ideal de extração e trânsito de ouro negro. A Rússia exporta 90% de todo petróleo que é processado nas refinarias da Bielorrússia ( em Mozyr e Novopolotsk). No entanto, o trânsito de sua matéria-prima para Europa através da seção bielorrussa "Druzhba" (Amizade) é de 70 milhões de toneladas por ano. Por uma questão de objetividade deve-se notar que, em meados dos anos noventa Minsk teve grandes preferências. Nos anos 1995 - 2000 Rússia não taxava o petróleo que entrava na Bielorrússia, enquanto esta ativamente exportava o ouro negro aos países europeus. No entanto, de 2007 Moscou exigiu a devolução dos direitos aduaneiros de 85% sobre os produtos petrolíferos, que são direcionados para Europa. Em resposta, Minsk estabeleceu taxas de trânsito. O processo de negociação em janeiro de 2007 foi muito tenso e teve lugar na quase cessação das entregas de matérias-primas russas para UE.

Finalmente um acordo foi alcançado - Rússia recebe US$ 53 por tonelada de produtos de petróleo exportados pela Bielorrússia, e esta cancela as taxas de trânsito.

Posteriormente, após a adesão à União Aduaneira, os países ajustaram esta questão. Rússia fornece a Bielorrússia, sem as taxas de importação todo o ouro negro e esta, por sua vez, transfere para o orçamento da Rússia todo o volume de direitos de exportação sobre os produtos petrolíferos feitos a partir de matérias-primas russas. Mas isso não resolve o problema - as refinarias do país, atualmente não estão funcionando a plena capacidade. Note-se que no primeiro trimestre de 2011 a produção em Mozyr e Novopolotsk estavam liderando a deficiência entre as empresas bielorrussas.

Lukashenko ativamente procura alternativas de fornecimento de petróleo à Bielorrússia. Foi introduzido até o experimento de importação da Venezuela. No início de maio de 2010 para a refinaria de Mozyr vieram as primeiras 4,4 mil toneladas de um lote experimental de 80 toneladas. Havia até a "proibição" de direcionar para Rússia os ingressos da industrialização do ouro negro venezuelano (embora seja difícil manter afastados 42,5% de propriedade de Mozyr da companhia russa "Slavneft"). Na primavera de 2011 a fábrica foi a reparos. Na imprensa notícias de diversas "fontes do governo bielorrusso" sobre a "recusa" às alternativas venezuelanas. Provavelmente, esta será uma das exigências do lado russo durante as próximas conversações "amigas" com Minsk.

Ocorre a guerra do leite

Em 6 de junho de 2009 Rússia iniciou uma intensa guerra do leite contra a Bielorrússia proibindo a importação do produto porque os produtores não reformaram a documentação, em conformidade com os regulamentos técnicos Para um país que exporta 2/3 de produtos lácteos para Rússia, este é realmente um golpe sério.

A guerra comercial foi em resultado de vários escândalos internacionais em conexão com os termos adicionais da Rússia à Bielorrússia da terceira quota no valor de US$ 0,5 bilhões (que faz parte do empréstimo de 2 bilhões). Os especialistas ligaram ao problema do não reconhecimento da Ossétia do Sul e Abkhásia e a sua recusa em vender 12 de suas fábricas a investidores russos. Na escalada das batalhas lácteas o fato é que Lukashenko recusou participar da cimeira da organização do Tratado de Segurança Coletiva (Um dos projetos de integração do Kremlin, político-militar, organização política que inclui Rússia, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão) que aconteceu em 14 de junho de 2009 em Moscou.

Em maio de 2011 Rússia limitou a importação apenas do soro de leite e leite em pó.

No entanto, neste ano em Bielorrússia apareceram problemas muito mais graves: o sistema econômico está demonstrando sua pouca resistência. No auge da crise Lukashenko apelou a Moscou solicitando o empréstimo de US$ 3 bilhões para apoio à taxa de câmbio do rublo bielorrusso. No início de junho foi tomada a seguinte decisão: Os US$ 3 bilhões serão alocados no decorrer de três anos. No entanto, o Kremlin espera receber em troca as ações estratégicas das empresas do país, especialmente os 50% restantes da Beltransgas. Aleksandr Surikov, embaixador da Rússia em Minsk, chamou tal extorsão "combinação inteligente de ativos de empresas russas e bielorrussas".

Os representantes das forças pró-Rússia na Ukraina, os conflitos com seu vizinho do norte, frequentemente associam com diversoos "não amistosos " passos das elites pátrias do poder. Entretanto a experiência bielorrussa demonstra: nenhum passo "amigável" não saciará os apetites de Kremlin. E, para manter-se livre em seu país, nosso governo deve lembrar a experiência dos vizinhos: qualquer rendição (sua história, idioma, patrimônio, etc) Moscou considera apenas como um passo à próxima conquista.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

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